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sexta-feira, 12 de junho de 2020

CARTA PARA MINHAS NETAS

Salvador, 12 de Junho de 2020.


Às minhas netas Iara e Jade

Minhas queridas,  estou escrevendo esta carta para vocês, a qual tornarei púbica no meu Blog, para que eu possa inspirar outros avós, avôs, pais, mães, tios, sobrinhos e amigos a lutarem por um mundo melhor para vocês duas, e dessa maneira para os milhões de Iara, Jade, Rafael, Lucas, Maria e  José por esse mundo afora.

Vocês nasceram numa época muito feia da humanidade, especialmente na área do meio ambiente.
A natureza não precisa de nós. Ela se recupera e volta a ficar exuberante sem a nossa presença. Aliás, fica bem melhor sem nós, a espécie mais "evoluída"  da cadeia ecológica.

Mas nós, meus amores, precisamos da natureza e não estamos cuidando dela como vocês merecem.  Pelo contrário,  nós estamos destruindo tudo, poluindo, matando, contaminando. Uma coisa horrível e que nos envergonha muito.  

Para piorar a situação, o desequilíbrio ambiental, os constantes ataques aos ecossistemas decorrentes do modo de vida incompatível com os limites do planeta, deram origem  a vírus muito perigosos, como o CONVID 19.  No país onde ele "nasceu", na China, as pessoas comem muitos animais, até mesmo cachorro, escorpião, rato, e tudo o que se mexe.  Somente agora, depois dessa catástrofe mundial, o governo chinês proibiu que se coma cachorro.

E então a natureza reage a tanta agressão. Criou esse bichinho minúsculo, imperceptível a olho nu. E a Terceira Guerra Mundial, que a humanidade levou décadas esperando, temendo, sofrendo, chegou de uma forma silenciosa e totalmente diferente. Nada de armas químicas, biológicas, mísseis, armamento de toda ordem, nada disso.  Os países ricos especialmente os EUA, gastaram e gastam trilhões de dólares para se "protegerem" de  supostos ataques. Dinheiro que poderia estar sendo canalizado para aplacar ou pelo menos reduzir a fome que atingiu mais de 821 milhões de pessoas no mundo em 2019,  segundo dados da ONU.

E sobraria muito dinheiro para fornecer educação de qualidade, saúde pública de qualidade, segurança, cultura, dentre muitas outras coisas.
Só para exemplificar a questão da saúde pública, o mesmo país que gasta trilhões de dólares em "defesa", ou seja, com  a indústria da morte, não possui nenhum sistema de saúde pública, ou qualquer coisa que se pareça com o nosso SUS.  Isso explica a quantidade assombrosa de pessoas que estão morrendo nos EUA por causa da CONVID 19. Neste país se a pessoa não tiver dinheiro ela morre.

Na contramão do que deveria se esperar do pais mais rico do mundo, desde que assumiu o governo, Donald Trump, a versão americana do tupiniquim Bolsonaro no Brasil,  fez drásticos cortes em meio ambiente, cooperação internacional e ajudas contra a pobreza energética. Só nisso ele aumentou os seus gastos bélicos em 39 bilhões de dólares de um ano para o outro.

Então,  esse minúsculo vírus chegou e parou o mundo inteiro. Como Raul Seixa cantou isso na sua música "O DIA EM QUE A TERRA PAROU". Eu sei que você adora as músicas de Raul Seixas, tal como o seu pai.  Só no Brasil, até esta semana,  40.000 pessoas perderam a vida. Jovens, adultos, idosos, não escapa ninguém. E agora estamos todos confinados em nossas casas, dando graças a Deus por termos casa e comida. Sofremos com  os  nossos irmãos que não têm casa, comida, trabalho, nada.

Por isso você Iara, não pode mais ir à praia, brincar nos parques, fazer picnic. E você, apesar de tão pequena, já sabe como se proteger, usa máscara, lava as mãos melhor do que a maioria de nós.
Na semana passada você me deu uma fitinha do Senhor do Bonfim laranja. Então você fez três pedidos e me falou.  O primeiro pedido foi para Bolsonaro ir embora ( XÕ Bolsonaro, como você diz). O segundo pedido foi para o vírus ir embora. ( XÕ CONVID 19!!)  E o terceiro foi: para que todas as crianças do mundo sejam felizes. Sem comentários.

Na sua inocência, Iara, você já sabe que muitas pessoas más sujam as praias, jogam plástico no mar. E sabe também que os peixes, as tartarugas, as baleias e muitos outros seres que vivem no mar engolem esse plástico e morrem ou ficam contaminados e acabam contaminando as pessoas que comem os peixes. Você já tem aulas de meio ambiente na sua escola, e já sabe que não podemos gastar muita água, nem deixar as lâmpadas acesas sem necessidade. 

Outro dia, você disse a sua mãe: vovó sabe tudo do planeta mamãe.  E eu lhe respondi. Não sei tudo querida, mas sei muitas coisas e continuo aprendendo. A vovó nunca vai parar de estudar. Então eu estou lhe ensinando de forma muito lúdica, histórias das pessoas que gostavam muito do planete, fizeram a diferença, como Wangari Mathai, Rachel Carlson, e agora mais recentemente a Greta Thunberg. Contei mais recentemente a história do Parque de Pituaçu, onde você mora. Da janela da sua casa a gente vê quase todo o parque, aquela lagoa linda. Então eu lhe falei que você mora numa floresta dentro da cidade. E você achou isso o máximo!  E contou logo para sua mamãe.

Também lhe contei como a vovó ajudou a preservar as tartarugas marinhas por 20 anos. E você adora essas histórias que são com  " h" mesmo.  Nada de Joãozinho e Maria, Cinderela, etc. Descobri que você adora ouvir essas histórias. Sempre conto a vida de pessoas boas, como a Irmã Dulce, que você gosta muito e sempre me pede para contar e recontar.

E quanto a você Jade, que ainda está na barriga da mamãe, já vai nascer no meio da pandemia. Como fico triste!  Que você venha também para mudar totalmente esse mundo insustentável, injusto e desumano.  

Apesar desse quadro nada bonito, eu tenho muita esperança de que a geração de vocês vai detonar tudo o que está ai e criar um novo modo de viver, muito mais alegre, saudável, justo, simples e bonito.
Existem estudos mostrando que as crianças que estão nascendo agora poderão  viver facilmente e com saúde  até os 100, 110 anos. Então precisamos agir logo, óntem.  Vocês têm direito a conhecer e desfrutar dos serviços ambientais prestados pela Floresta Amazônica, por exemplo. Ela é a maior floresta tropical do planeta, e é responsável pela regulação do clima, do regime de chuvas, dentro e fora do Brasil. Então, meus amores, precisamos estancar as queimadas e a destruição dessa floresta. Estudos recentes mostram que se a matança da floresta continuar no ritmo que vai, em 40 anos não existirá mais uma floresta, e sim uma savana.  Para quem não sabe, Savana é uma região plana cuja vegetação predominante são as plantas gramíneas, com árvores esparsas e arbustos isolados ou em pequenos grupos ( Wikipedia). Em recente palestra em Porto Alegre, o ex presidente do INPE ( Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), Ricardo Galvão, foi ainda mais pessimista e afirmou que se tudo continuar como está e com tendência a aumentar, o que está acontecendo neste governo, a floresta poderá se tornar uma savana não em 40, mas em 15 anos. Acreditem ou não, meus amores, este homem foi demitido porque falou a verdade, e o presidente não gostou, dizendo que os dados dele não são verdadeiros.

Mas tudo na vida tem pelo menos dois lados, ou cinquenta tons de cinza. Então muitas coisas bonitas e boas estão acontecendo em todo o planeta desde que essa pandemia começou.  Centenas de milhares de pessoas estão ajudando aquelas que estão passando fome, frio e tristeza. Os artistas estão cantando, tocando, atuando pelas mídias para alegrar aqueles que estão em casa, tristes, deprimidos e sem esperança. O que seria de nós sem os artistas???  Até mesmo os animais, cachorros e gatos principalmente, estão sendo cuidados e ajudados por pessoas que amam os animais. Isso que está acontecendo é muito bonito. E a energia do amor é muito poderosa e faz milagres.

Gostaria de escrever uma carta bem alegre, cheia de coisas bonitas e belas, mas para que isso aconteça,  é preciso que você conheçam um pouco de como está o planeta hoje, para que possam transformá-lo num lugar mais digno, para todas as pessoas, e não para poucas,  Assim tudo será muito melhor.

A vovó ama vocês duas, e ama também a natureza, nossa super mãe.







domingo, 10 de novembro de 2019

Olá  Amigos

Hoje vou escrever um pouco sobre um dos lugares mais bonitos do Brasil, quiçá do mundo:
o Vale do Pati, na Chapada Diamantina da Bahia.

O Vale do Pati conheceu seus primeiros moradores no começo do século XX, e uma seca muito forte na região foi o motivo que levou os nativos dos arredores a buscarem no vale fértil e úmido a sobrevivência.

Com o fortalecimento da cultura do café, o Vale do Pati junto com o Vale do Capão tornaram-se os maiores produtores de café da região.  Contava com mais de mil moradores, um centro comunitário, comércio e igreja. O café também foi o motivo de sua decadência, quando a política republicana da época, resolve estatizar e erradicar a cultura cafeeira para majorar os preços no mercado mundial.

Sem a produção do café que alimentava a economia local, os moradores foram embora e a própria natureza se encarregou de recuperar os ecossistemas degradados pelo plantio de café e criação de gado. Em 16 de setembro de 1985, foi criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina, uma Unidade de Conservação, através de um decreto federal, com uma área de 152 mil hectares.

Hoje moram no Vale menos de 100 moradores, os nativos que já viviam na região por gerações e gerações.  A trilha do Pati foi  eleita a mais bonita do Brasil e  terceira mais bonita do mundo. Em 2010 o Vale do Pati ganhou o prêmio de melhor roteiro do país, concedido pelo Ministério do Turismo.
Passar uns dias neste paraíso é uma experiência das mais enriquecedoras e inesquecíveis. Lá não existe sinal de telefonia móvel, nem energia elétrica convencional e não fazem falta. A energia para iluminação e carregamento de alguns aparelhos eletro eletrônico vem de placas solares individuais, instaladas pela COELBA durante o governo petista, através do Programa Luz para Todos.  Não há chuveiros elétricos, as geladeiras são a gás, nem máquinas de lavar roupa. Mas ninguém se queixa. As roupas são lavadas a mão e são postas para secar em enormes cordas. Ficam limpíssimas e cheirosas.
A comida é feita tanto em fogões a lenha tradicionais quanto em fogões a gás. Comer um bolo assado num fogão a lenha é um prazer para poucos. Um cuscuz de milho não transgênico, uma lasanha de berigela preparada pelo melhor guia da região, o Ítalo, é fantástico.

Caminhar pelas difíceis trilhas do Pati é sentir o quão pequeninos somos nós.  A dificuldade é esquecida quando vemos tantas obras maravilhosas esculpidas por milhões de anos pela natureza universal.  A dor nos pés desaparece, o cansaço some, a energia que emana das montanhas, rios e cachoeiras camufla qualquer incômodo que se possa sentir após caminhar 8, 10h por dia. 

Mas, se você tem vontade de fazer a Trilha do Pati, prepare-se antes. Faça atividades físicas, especialmente musculação, alongamentos e caminhadas.  Treine antes fazendo caminhadas pequenas.
Tenho certeza de que vai ser uma das experiências mais sensacionais da sua vida.

OM  SHANTI!!!






domingo, 3 de novembro de 2019

Olá Amigos

Depois de um final de semana sabático, a custo zero, dedicado ao ócio, escrevo este post sobre Wangari Maathai.

Esta mulher africana nasceu em 1940 no distrito de Nyeri, na época parte da colônia britânica do Quênia.  Como era uma excelente aluna, foi selecionada, dentre 300 alunos, pela Fundação Kennedy para estudar nos Estados Unidos. Lá ela se graduou em Biologia no atual Benedictine College, no Kansas, com especializações em química e alemão. Depois, passou para a Universidade de Pittsburg, onde fez um mestrado em Biologia, em 1966.  Depois de alguns anos, fez um doutorado nas universidades de Giessen e Munique, na Alemanha. Foi a primeira mulher da África Oriental a ter um doutorado.

Retornou ao seu país, onde constatou a grave situação de degradação ambiental, e em especial a situação de miséria das mulheres, que eram obrigadas a caminhar cada vez mais longe para conseguirem coletar a lenha.  Em 1977 fundou o Movimento Cinturão Verde, uma organização não governamental que incentivava mulheres a plantar árvores no combate ao desmatamento e à degradação ambiental.  No dia em que morreu, vítima de um câncer de ovário, em 2011, ela já havia plantado mais de 47 milhões de árvores.

Mas o caminho que Wangari percorreu foi cheio de dificuldades.  Ela começou a usar sua organização como um trampolim para as lutas contra os abusos de poder, como as ocupações ilegais de terras pelos mandatários locais e a prisão de opositores políticos. Ela foi duramente criticada, presa, mas não desistiu e seguiu em frente.

Em 2004 ela recebeu o maior das dezenas de Prêmios que ela colecionou ao longo da sua vida, o PRÊMIO NOBEL DA PAZ.  Foi a primeira mulher africana a receber esse prêmio.

Escreveu diversos livros,, e muitas frases famosas, como algumas que selecionei para vocês:

" Quando se começa a trabalhar seriamente em temas ambientais, a arena passa a ser os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos ambientalistas, os direitos das crianças, isto é, os direitos de todo mundo. Uma vez que se começa a realizar essas associações, já não se pode continuar simplesmente plantando árvores".

" É o povo que tem de salvar o ambiente, é o povo que tem de obrigar os seus líderes a mudar".

Esta brava guerreira africana nos comprova que a educação de qualidade faz toda a diferença na vida de uma pessoa.  Prova também que uma só pessoa é capaz de fazer grandes transformações no mundo.

No momento em que o Brasil vive uma crise ambiental sem precedentes na sua história, pessoas como Wangari Maathai nos servem de exemplo de que nunca podemos desistir dos nossos sonhos, de deixar para as atuais e futuras gerações um mundo ambientalmente e socialmente adequado.





sábado, 26 de outubro de 2019

Olá amigos e amigas

Hoje é um dia muito especial para mim. Em 26 de outubro de 1923 nascia meu pai, Dário Marchesini.
Teve um início de vida muito difícil e triste. Perdeu o pai e a mãe muito novinho. Foi criado pela avó Emília Marchesini, a matriarca da família que saiu de Veneza, na Itália, fugindo da Guerra, e veio se estabelecer em São Paulo. Tiveram 10 filhos, e um deles se chamava Antônio Marchesini,, casado aos 21 anos com Antonina Marchesini.  Tiveram 3 filhos: Dário, Diva e Emília.
Dário foi então criado pela avó Emília, e depois pelo tio Carlo Marchesini, também filho de Emília.

Aluno brilhante, Dário queria ser médico, apesar de já naquela época entender de mecânica de carros e eletricidade de uma forma geral.
Com grande esforço pela pouca condição financeira, Dário prestou um vestibular dificílimo, quando havia provas orais e escritas, ele passou e concluiu o curso, tendo sido o segundo melhor aluno. O primeiro foi o ex Governador Roberto Santos, de família rica e famosa em Salvador.

Pouco tempo após a sua formatura, em 1949, ele namorou e se casou com Júlia, nossa mãe.  Tiveram 3 filhos: Sandra (eu), Ivana e Dário Antônio. Vinte anos depois, já com quase 60 anos, ele adotou David, hoje com 40 anos.
Exerceu a medicina com grande amor e desvelo, e nunca parou de estudar, numa época em que não existiam MBA, PÓS nem DOUTORADOS.  O Dr Roberto Santos, por ter boa condição financeira, prosseguiu seus estudos nos EUA, inclusive na já famosa Universidade de Harward.

Dário trabalhou num consultório na Ladeira da Palma, com o tio também médico Vitório Marchesini.
Ambos eram Clínicos Gerais, pois naquela época quase não existiam especializações.
Também trabalhou como Médico Escolar na Escola Getúlio Vargas, no ICEIA, tendo se aposentado somente aos 70 anos.  Nessa escola ela era responsável pela saúde de todos os alunos, e muitas vezes dos seus familiares.  Numa época em que existiam poucas vacinas, ele tinha de se empenhar muito em convencer as mães em vacinarem os seus filhos, especialmente contra a paralisia infantil. Naquela época, em que as Escolas Públicas eram as melhores, as crianças podiam contar com médicos e dentistas. Meu pai foi o último médico escolar de Salvador.

Com o que ganhava no consultório e na Escola Getúlio Vargas, criou e educou seus três filhos, e depois o David, que se graduou em Biologia.  Mas nada disso teria sido possível sem a participação fundamental da nossa mãe Júlia, hoje com 90 anos de idade. Numa época em que as mulheres não trabalhavam, ela se formou em professora primária no ICEIA, e passou a lecionar após concurso público.  Com 3 filhos pequenos, Júlia ensinava e, pouco tempo depois dos filhos terem nascido, ela se aventurou a prestar vestibular, na Faculdade Católica, para Pedagogia. Passou e seus rendimentos aumentam, e assim podia ajudar a meu pai com as despesas da casa.

Mas Dário não se contentou em trabalhar apenas no consultório e na Escola Getúlio Vargas. Passou a trabalhar também em Unidades de Emergência, como o SANDU do Barbalho, o PAM ROMA. Dava plantões de 24h, e muita vezes dobrava os plantões, substituia colegas. Nunca se queixava de cansaço. Tinha uma boa saúde, e se cuidava, apesar de nunca ter praticados atividades físicas, coisa rara nessa época.

Comprou o seu primeiro carro muito tempos depois de formado, um JEEP.   Depois trocou por uma RURAL, e teve duas. Ele mesmo consertava os seus carros, e chegou a inventar um aparelho para melhorar a ignição do motor. Esse aparelho alguns anos depois passou a fazer parte de todos os carros.

Dário gostava de passear de carro, amava dirigir; muitas vezes saia de Itapoã até a Cidade Baixa com minha mãe e nós três. Nunca fez regime, nunca engordou. Morreu com a barriga de tanquinho, da qual eu sinto não ter puxado a ela. Gostava de viajar com a família, nunca viajou sozinho. Fazia festas, confeccionava enormes balões de São João, que eram soltos na cidade, pois não havia nenhuma lei proibindo essa prática. As festas de Natal também eram maravilhosas. Gostava de presentear todo mundo, inclusive as secretárias. Algumas vezes se vestia de Papai Noel, e nos fez acreditar que este existisse mesmo depois de já estarmos bastante crescidinhos.

Na sexta-feira da Semana Santa era uma festa. Minha mãe, excelente cozinheira, fazia caruru, vatapá, galinha de xinxin, feijão de leite que eu nunca consegui gostar, frigideira de siri catado, peixe frito e farofa de azeite de dendê.

Tivemos uma criação muito rígida, éramos muito disciplinados e responsáveis. Quando chegava com o boletim em casa repleto de notas 9 e 10, ele me dizia: você não está fazendo nada além da sua obrigação.  Estudar era o objetivo maior, quase uma obsessão.   No curso de inglês no EBEC que comecei aos 7 anos, ele me colocava para estudar e estudar, até saber tudo.  Nunca tirei uma nota menor que A, e concorria com uma colega, Cíntia Barreto de Araújo, cuja família era dona de uma grande empresa de construção civil, e a mãe era professora de inglês.

Apesar de querer muito ter um filho médico, eu não suportava, e cheguei a desmaiar muitas vezes até mesmo quando fazia exame de sangue. Mas quando optei por fazer Engenharia Elétrica, profissão praticamente de homens, ele não se opôs e me deixou livre para fazer o que eu quisesse. Felizmente a minha irmã Ivana, um anos mais nova que eu, fez Medicina e se formou Oftalmologista.

Como a família era de classe média média,, e as poucas Universidade e Faculdades particulares que existiam eram caríssimas. Portanto, nós tivemos duas opções: ou passar na UFBA ou não estudar.
Todos três passaram.

Muitos anos depois de formado, Dário começou a lecionar na Faculdade Bahiana de Medicina, a disciplina Saúde e Segurança do Trabalho. Ensinou muitos anos, e só saiu quando estava bem velinho. Até hoje encontro médicos e médicas que foram seus alunos, e têm por ele muito respeito e admiração.

Como médico, costumava ser interrompido pelo telefone na madrugada, pois alguma mãe aflita necessitava da sua ajuda profissional.  Levantava, pegava a sua maleta e lá ia ele atender pessoas especialmente crianças.  Quando a mesma tinha febre, aplicava o remédio e ficava sentado esperando a febre passar.  Inúmeras vezes eram pessoas pobres, que não podiam pagar a consulta, e ele não se incomodava com isso. O amor à profissão sempre esteve à frente do interesse econômico.

Como não haviam exames de ultrassonografia, tomograficas e tantas outras "ias", o diagnóstico da doença era baseado em uma boa anamnese e exames de toque.  Dessa forma ele identificava com precisão o que o paciente tinha.  Certa vez, me contou óntem o primo João, chamado Janjão, que ele foi até a casa da sua avó Marina, pegou no seu pé e disse:  você tem diabete.  E ela de fato tinha, e passou a se tratar com ele.

Um pouco pessimista, falava sempre que não ia ver as filhas completarem 15 anos.  Tanto viu, como também as viu se formarem, se casarem e terem filhos, seus 6 netos. 
Mesmo aposentado de todos os empregos, continuou atendendo no consultório que ficava nan parte de baixo da sua casa, bem como atendia também alguns familiares nas suas casas, especialmente seus netos, que nunca precisaram ir a um pedatra. Bastava eu ligar para ele quando os meninos tinham alguma coisa para ele chegar em menos de meia hora.

Além da Medicina, Dário teve inúmeros outros interesses ao longo de sua vida. Era fotógrafo, teve dezenas de modelos de máquinas; fez o primeiro selfe já naquela época.  Também teve dezenas de filmadoras Super 8, Super 16.  Filmava todos os eventos da família, mas raramente nós víamos o filme!!! kkkkk

Conheceu a Fotografia Kirlian, que fotografava a aura das pessoas, e através da análise da aura, sabia-se da saúde física e mental do paciente.  Também se encantou com o pêndulo, que indicava se a energia estava fluindo de forma correta ou não.  Só prescrevia um remédio depois que colocava o pênndulo. Também fez curso de homeopatia, que ele admirava muito.

Mas o seu tempo foi chegando, e os problemas respiratórios, que o acompanhavam desde a infância, foram se agravando. Após deixar o último emprego, foi tomado por uma tristeza muito grande. Mas seguiu firme até que o seu amado filho David se formasseem Biologia.  Só então ele partiu, aos 84 anos, depois de uma longa vida que valeu muito a pena!!!

Onde quer que você esteja agora meu pai, sei que está bem e certamente continua atuando como médico nas colônias espirituais deste vasto e misterioso mundo espiritual. Fique com Deus e muito obrigada por tudo o que você fez em vida, salvando muitas vidas.



sexta-feira, 11 de outubro de 2019

UM POUCO DA HISTÓRIA DO MEIO AMBIENTE NO MUNDO


Vou inaugurar o meu Blog escrevendo sobre um tema super atual:  MEIO AMBIENTE, uma das minhas grandes paixões desde os 27 anos. Como estou começando o meu BLOG, vou escrever  sobre o início da preocupação ambiental no mundo.

Até a década de 60, todos pensavam que  os recursos  naturais da Terra eram inesgotáveis.  Tudo era permitido. Não existiam leis para preservação e conservação do meio ambiente.  Desmatamentos, uso de rios, lagos e oceanos como esgoto, emissões de gases tóxicos sem chaminés e filtros, devastação das florestas (  quase todas as florestas principalmente da Europa, foram dizimadas). O foco era o progresso a qualquer custo.  Como disse  Greta Thunberg, ativista de mudanças climáticas, em recente pronunciamento que emocionou o mundo:  "  dinheiro, dinheiro, dinheiro, crescimento econômico eterno". ( Vide Vídeo de Greta Thunberg  postado nesse Blog).

Mas, ainda no final da década de 50, uma bióloga marinha americana, Rachel Carson, deu a partida para o início da tomada de consciência dos riscos de um desenvolvimento feito a qualquer custo, sem considerar os limites do nosso único planeta, a Terra.  Não temos outro planeta, não temos um Plano B. Ela começou a observar  que a pequena cidade onde morava, Springdale, em Pittsburg, situada entre duas enormes usinas de carvão, foi transformada em uma terra desolada, com o ar contaminado por emissões de produtos químicos e o rio poluído por resíduos industriais. Os donos não tinham a menor preocupação com os impactos dessa  poluição sobre os moradores da pequena cidade e sobre o meio ambiente; argumentavam que estavam levando o progresso e gerando empregos; aliás, este sórdido argumento perdura até hoje, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em eterna fase de desenvolvimento.  Cresci ouvindo dizer que o Brasil era o país do futuro, que nunca chegou.


Carson tomou conhecimento do uso de um pesticida desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial para eliminar insetos e combater as doenças causadas por eles como a Malária, Tifo e Febre Amarela. Também era usado por fazendeiros para controlar pestes agrícolas. Trata-se do DDT - Dicloro-Difenil-Tricloroetano.  Apesar de ser uma criança de origem humilde, conseguiu estudar em boas escolas e Universidades, devido a sua inteligência superior. Entretanto, não conseguiu fazer um Doutorado nem pertencer às sociedades científicas, por isso era menosprezada e criticada pela poderosa indústria de "biocidas", como ela costumava chamar os pesticidas. Alertou os Estados Unidos, e depois alertou o mundo, quando publicou o seu mais conhecido livro sobre meio ambiente, a PRIMAVERA  SILENCIOSA., em 1961.  Este foi, na prática, o primeiro livro ambiental do mundo, que sacudiu a inércia desenvolvimentista vigente, desencadeou a elaboração de leis de controle de poluição, culminando com a criação da poderosa Agência de Proteção Ambiental dos EUA, a EPA.

Infelizmente Carson veio a falecer vítima de um câncer cerebral, aos 56 anos, muito provavelmente causado pela poluição atmosférica que ela tanto combateu.  Por que o nome Primavera Silenciosa?  Porque  não haviam mais pássaros na sua outrora bucólica cidade, eles morriam aos montes devido à poluição atmosférica das usinas a carvão.

Pois bem, somente em 1972 o mundo conseguiu se reunir pela primeira vez, na cidade de Estocolmo, em 1972, para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, organizada pelas ONU, no período de 5 a 16 de junho de 1972. Participaram desta Conferência 113 países, inclusive o Brasil, e 400 instituições governamentais e não-governamentais.  Criou-se um grande impasse no decorrer deste importante evento, entre os países ricos, que queriam o "desenvolvimento zero", e os países pobres, que queriam o "desenvolvimento a qualquer custo". Ficou célebre a posição defendida pelo Brasil na reunião, " se os países ricos não quisessem as indústrias por causa da poluição, todas elas podem se transferir para o Brasil".   Mas o resultado final da Conferência foi positivo: A aprovação de um importante documento, a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano, contendo uma série de princípios, um dos quais o reconhecimento de que os recursos naturais necessitam de gestão adequada para não serem esgotados.

Infelizmente foi o que acabou acontecendo. Só para citar um exemplo clássico bem perto de nós. A TIBRÁS - Titânio do Brasil, que depois mudou de nome para Millennium Inorganic,Chemicals e finalmente entrou em processo de fusão como a Cristal Company. Para produzir o seu produto final,  o dióxido de titânio gera enxofre ( daí o odor horrível odor sentido em
 grande extensão ao redor), ácido sulfúrico e sulfato ferroso.  Todo esse lixo tóxico era despejado nas lindas praias da orla da Bahia, causando muita poluição e doenças nas comunidades que residiam no seu entorno.  Um grande amigo já falecido costumava pescar caranhas nessas praias. Com a TIBRÁS, as caranhas desapareceram.
Essa maléfica indústria, que existe em 9 outros países, foi construída sem qualquer licença ambiental, controle nem compromisso de monitoramento da sua operação para o meio ambiente e as comunidades que viviam nessa área.
Mas o Brasil reagiu de maneira progressista, e já em 1973, mesmo sob o fatídico regime militar, conseguiu criar o primeiro órgão de meio ambiente federal, a SEMAS - Secretaria Especial do Meio Ambiente, criada pelo Presidente da República Emílio Garrastazu Médici, vinculada ao Ministério do Interior. Além de não ter status de ministério, a SEMAS contou apenas com 6 profissionais, liderado pelo professor da USP Dr Paulo Nogueira Neto. Em 1981, a SEMA elaborou a Política Nacional de Meio Ambiente, quando o órgão já contava com 200 servidores. Criou também o CONAMA- Conselho Nacional de Meio Ambiente. Somente em 1989 foi criado o IBAMA - Instituto Brasileiro de Recursos Naturais e Meio Ambiente. Em 2000 foi criado o Sistemas Nacional de Unidades de Conservação e o IBAMA foi dividido em dois: O Instituto Chico Mendes, uma homenagem ao seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista brasileiro, assassinado em 1988. Chico Mendes tornou-se conhecido mundialmente por sua luta a favor dos seringueiros da Bacia Amazônica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas. Infelizmente o atual Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em entrevista que não conhecia Chico Mendes.
Em  45 anos ( de 1973 a 2018), o Brasil construiu um dos melhores arcabouços ambientais do mundo, considerado exemplo para muitos países. Lamentalvelmente, todo esses esforço empreendido pelos governos anteriores, pela sociedade civil, organizações não governamentais brasileiras e estrangeiras, está sendo destruído pelo atual governo, numa velocidade jamais imaginável.

Em 1988, a Constituição Cidadã, como é conhecida, introduziu pela primeira vez a temática ambiental, no seu Art. 225, que diz: " todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e de preservá-lo para as presentes e futuras gerações".

No próximo post abordarei uma das questões mais preocupantes e graves da crise ambiental: os agrotóxicos.









quinta-feira, 26 de setembro de 2019

GRETA THUNBERG,


ATIVISTA  DE  MUDANÇAS  CLIMÁTICAS

Esta  garota  de  16  anos  se  chama  Greta  Thunberg.  Nasceu  na  Suécia.  Desde os  11 anos, após aprender sobre meio ambiente  na  escola,  começou  a  se preocupar com  assuntos  ambientais, especialmente  as Mudanças  Climáticas.
Aos 15 anos, passou a faltar às  aulas todas as sextas-feiras, sentando-se  no  chão  em frente  ao  Parlamento  Sueco, segurando  um  Cartaz  de  Cartolina  protestando  contra  a falta  de  ações  concretas  sobre  o  aquecimento  global.
Ficou o ano inteiro, enfrentando o frio  do  rigorosíssimo  inverno sueco.  Durante  todo esse tempo, nunca foi  convidada a entrar e expor as  suas demandas.
Depois de resolvere  usar  as redes  sociais para divulgar o seu solitário  trabalho,  sua luta  viralizou. Hoje o FRIDAYSFORFUTURE já está em mais de 150 países  em  todo o mundo,  inclusive no Brasil.  P
Periodicamente ela organiza paralizções  durante as sextas-feiras para que os jovens estudantes de todo o mundo  protestem contra a falta de ações  concretas  de governos, parlamentos e empresários com uma questão de tanta importância para o futuro da humanidade.  Ela  também critica o excesso de Conferências sobre o Clima, Congressos,  Acordos, os quais não resultam em nada ou quase nada de efetivo, além de gerarem toneladas de gases do efeito estuga - GEE.
A última paralização, ocorrida no mês de setembro, levou para as ruas centenas de milhares de jovens e adultos preocupados com o aquecimento global. Nos discursos que faz na ONU, nos Parlamentos de diversos países , ela se baseia em dados obtidos de fontes totalmente isentas e confiáveis, como os Relatórios  do  IPCC.
GRETA, UMA  VOZ  QUE  ACONTECEU  PARA  ALERTAR  O   MUNDO  DOS PERIGOS  DO AQUECIMENTO  GLOBAL, causado principalmente pelo uso ainda maciço de combustíveis à base de Carbono, mas também pelas queimadas em florestas.  Ela  já  discursou sobre  o número  crescente  e preocupante  das  queimadas  que vêm acontecendo  na  região  amazônica,  mas também em outros Estados como Mato Grosso.
  

ROSA, LÍDER DO MST ASSASSINADA DIANTE DO FILHO


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A floresta queima

A floresta Amazônica arde em chamas



Agosto deste ano foi o pior mês para a Amazônia desde 2010. O número de queimadas na região triplicou em relação a agosto do ano passado, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019. O recorde anterior, há nove anos, foi de 45.018 focos de incêndio na parte brasileira do bioma. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ).

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

DESMATAMENTO

Desmatamento, também chamado de desflorestamento, consiste na retirada da cobertura vegetal parcial ou total de um determinado lugar. Enquanto alguns enxergam essa prática como uma ação necessária ao suprimento das necessidades do ser humano, outros apontam o desmatamento como um dos maiores problemas ambientais da atualidade. A retirada da cobertura vegetal está relacionada a diversas causas, como a urbanização, mineração e expansão do agronegócio, e seus impactos são inúmeros.